domingo, 1 de fevereiro de 2009

Tô voltando!!!


Tô voltando
(Chico Buarque)


Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando

Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando

Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando

Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar
porque eu tô voltando

Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando

Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá, lá, lá, ia, porque eu to voltando!

La Joie de Vivre (A Alegria de Viver)


Meu corpo e minha alma ressentem-se nesse momento de sua presença. Mas de uma forma na qual o sentimento que predomina é a felicidade, a esperança e o contentamento de poder ter alguém para sentir saudades.

Nesse sentido, essa saudade torna-se algo extremamente prazeroso. Saber de sua existência, e ter no horizonte a certeza do reencontro injeta em mim um ânimo e uma alegria constantes.

A designação correta para felicidade pode ser muito abstrata. Muitas das vezes gozamos de momentos que somente um longo tempo após caracterizamos como felizes. Talvez felicidade possa ser definida como instantes no qual passamos em paz conosco mesmos, ou quem sabe quando os problemas parecem pequenos e fáceis de serem resolvidos. De certa forma posso estar incorrendo em um eufemismo, por tudo que creio, pois sigo ao pé da letra a máxima do Gautama “nossa felicidade não pode ser baseada em outrem”. Mas essa outra pessoa pode nos auxiliar a nos ver de uma forma diferente, e também encarar a realidade de uma maneira mais suave e menos pessimista.

Talvez esteja sentindo nesse momento algo que há muito tempo no passado já havia sentido antes. E que tinha perdido a esperança de que retornasse. Mas uma das coisas que aprendi a respeitar em minha vida é o inusitado, ou melhor traduzindo, a facilidade com que as melhores coisas acontecem quando menos se espera. As ruins não, vêm todas em cadeia, mas as boas, as que realmente rendem frutos, são apresentadas em um minuto quando se está menos preparado para recebê-las, e daí talvez esteja o grande “it” da questão. A responsabilidade de reconhecer esses fatos como bons e de saber assimilá-los a vida é muito maior, e dessa forma corre-se o risco de “perder o bonde”.

Mas recuso-me a deixar essa oportunidade correr entre meus dedos. Recuso-me a não permitir que esse momento renda frutos e se torne pleno. Por pior que Hitler possa ter sido, ele disse algo que me parece certo: “A Deusa da Vitória não sorri duas vezes para a mesma pessoa”. Agarro-me a Baudelaire, e sacio minha sede em suas palavras e em suas flores do mal, quando essas dizem “viver é amar, enquanto alguém ama, vive, por isso desistir de amar é desistir de viver, é um suicídio”.

Citando Zeca Pagodinho, “deixa a vida me levar”, e lembrando, num outro extremo, de Bertold Brecht, “que se foda o amanhã, o que importa é o hoje, as verdades de hoje não serão mais amanhã”. Com isso quero dizer que jogo para cima os medos, questionamentos, todos os impedimentos que somente consumiriam tempo e levariam a confusão mental, para poder viver o que o coração dita nesse momento. Claro que sempre com uma pontinha de razão, equilibrando razão e emoção numa balança de São Miguel. Talvez a melhor expressão para isso seja a americana “take chance”, arriscar-se, tentar, fazer por onde, mas sempre com os riscos calculados. Mas não vejo riscos, talvez a palavra seja pesada demais. Nesse momento, vejo o caminho mais do que aberto para viver algo que há muito almejo, e do qual já quase tinha desistido.

Atualmente, mesmo perante todas as adversidades, problemas, acontecimentos, coisas chatas, o sentimento que você desperta em mim, o que você representa para mim, o jeito exato como você é, têm me permitido ter alegria de viver...


Estou chegando...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A você que está distante...




A você que está distante, quero dizer que, enquanto a distância é algo físico e concreto, os sentimentos são abstratos e não podem ser medidos, por isso não há uma relação direta entre estar distante e deixar de sentir, pois são duas coisas absolutamente diferentes.

A você que está distante, quero expressar minha completa e total felicidade em ter estado com você, e ter desfrutado de sua companhia, mesmo que fosse por uma pequena fração de tempo.

A você que está distante, quero confessar que desde que a distância se instaurou entre nós, tenho pensado constantemente em ti, e que a toda a hora, a todo momento, a todo instante, você se faz presente e próximo de mim através da saudade e da vontade que tenho de estar a seu lado, além das boas lembranças que tenho de quando não estávamos distantes.

A você que está distante, quero compartilhar de toda a minha ansiedade em poder lhe rever, em poder olhar em seus olhos, em poder me fazer presente, em poder te sentir de novo junto a mim.

A você que está distante, quero transmitir tudo aquilo que sinto e desejo, tornando crível e possível a quase fábula da telepatia, pois dessa forma poderia externar com mais precisão todo o sentimento que possuo por você.

A você que está distante, quero ilustrar todos os sonhos, desejos, perspectivas e anseios que tomam conta de mim com relação a você, e que me tornam a cada dia mais ciente de que uma parte sua ficou em mim, e que continuamente ela cresce e se torna também um pedaço de minha existência.

A você que está distante, quero externar toda minha saudade, toda minha vontade, todo meu bem querer, os quais ficam pequenos e muito parciais de serem definidos somente com palavras.

A você que está distante, afirmo que não existe a distância, pois a memória, a lembrança, as recordações são tão intensas e presentes, que te transformam em uma parte próxima de minha vida.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sentido Contrário


Começando uma nova fase (ou pelo menos tentando e aproveitando a boa oportunidade que se afigura no horizonte), brindo a todos com uma música de Isabella Taviani, dessa vez num humor e sentido completamente contrários aos da música anterior da mesma cantora. Deleitem-se, e se puderem, tentem ouvir a música, é realmente para mexer com os sentidos de quem tem algo nascendo dentro de si.




Isabella Taviani - Sentido Contrário
Isabella Taviani
Tudo que eu queria agora
Era um beijo teu
Molhado como quase sempre estão os olhos meus
Deitar nos teus ombros e dormir em paz
Será que é pedir demais?

Cadê você amor?
Sozinha agora estou

Tudo o que eu queria
Era o seu calor
Colar teu corpo junto ao meu
Detonar o cobertor
Mas é contraditório
Tua pele quente me faz tremer
Cadê você amor?
Por que não vem me ver?

E aí o que é que eu faço
Com a falta que você me faz
A hora nesse quarto parece andar pra trás
Mas quando estou com você o tempo voa
Voa, o tempo voa

"Estamos indo de volta pra casa..."


“Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro..”. A música de Tom Jobim não me sai da cabeça. Nesse fim de ano, atolado de provas, correções, concursos, conspirações e coisas afins, a mente se fixa na data de 18 de dezembro. Nesse exato dia, os Transportes Aéreos Marília me levarão desse lugar em direção à minha terra natal.


Quero minha mãe, quero estar ao seu lado, e poder ajudar o que eu puder, poder lhe atender em tudo que me for possível. Quero poder cozinhar para ela e para todos os amigos de longa data, que fazem relembrar minha infância e de tudo que passei em bons momentos (e também alguns não tão bons assim) em Miguel Pereira. Quero armar a árvore de Natal, ver cada detalhe, e tentar dessa forma encher a casa com um pouco de espírito mais puro e humano, que apesar de cada dia mais raro e pouco lembrado, quem sabe pode acender pequenas chamas em corações os mais duros possíveis.


Quero meus amigos de longa data, revê-los, abraçá-los, dividir um pouco de minhas aflições, perspectivas e realidade. Quero as conversas longas, quando se esquece a hora, e quando os assuntos fluem, sem nem ao menos se forçar a continuidade do papo. Tia Gracinha, modelo e exemplo de caráter, retidão e de atitudes corretas. Pai Paulinho, irmão de coração de longa data, Regina pessoa querida que mora em lugar especial no meu coração.


Desejo imensamente dar um tempo dessa terra com tanta mediocridade e leniência. Por um momento, por mais que se aparente com uma fuga, quero esquecer problemas, dilemas, intrigas e escárnios. Anseio me sentir perto de pessoas que representem algo a mais, e que tenham esse algo a mais para oferecer, e que fazem você crescer com apenas alguns minutos de convivência. Quero ser compreendido, quero de novo pessoas que não pré-julgam, e que não possuam a incrível necessidade de retrucar tudo que se fala, apenas pelo simples prazer de ser contrário a tudo que se pensa ou se deseja fazer. Falar somente uma vez e ser ouvido por pessoas com capacidade de entender sem ter que se repetir trocentas vezes a mesma coisa ou mudar o que se fala para um vocabulário “mais acessível”.


Quero a Lapa, a Portela, o réveillon de Copacabana, ou mesmo o do Lago de Javary. Quero a empada do Belmonte, o Rib´s do Outback, o hot dog da Rua das Laranjeiras, ou mesmo o sanduíche de pão com lingüiça do Alemão. Quero me sentir de novo em casa para poder rememorar (mesmo que somente na lembrança) gostos perdidos num tempo longínquo que não volta mais, como as balinhas de coco de Dona Arinda, a moela da Dona Auzinda e as bolinhas de queijo e milho de Odaléa.


Quero o frio de minha serra, o nevoeiro que chega aos poucos e de tudo se apossa, tornando a pequena cidade do interior fluminense quase uma Londres. O cobertor, as meias de lã, os casacos tricotados por mãos mais que queridas, todos juntos formando um cenário que as vezes me parece tão distante.


Quero ouvir o tambor tocando para buscar quem mora longe (e me trazendo), quero a fé simples, humana, rediviva, sem questionamentos desnecessários e deslocados. O pé no chão, a candura e a simplicidade do branco, o pedido de iluminação sintetizado na frágil luz da vela, a palavra curta e simples, mas ao mesmo tempo carregada de significado e de discernimento, as palmas festejando a alegria de poder crer em algo maior.


Quero ouvir a máquina de costura consertando a roupa antiga, mas da qual se tem gosto de usar, o barulho dos bandos de maritacas, o rádio que anuncia o começo do dia na cozinha, a voz da vizinha tão querida que chama querendo me rever, ou mesmo o silêncio das noites frias da cidade perdida entre os morros da Mata Atlântica.


Quero o frescor e o prazer de estar na cachoeira, à beira do rio, o vento frio que bate no rosto nas manhãs quando se vai comprar o pão na padaria de Lourdes, a cabeça inclinada da pastora alemã pedindo afago, o bicar suave da maritaca Cleo passeando em meus ombros.


Mãe-de-santo firma seu congá porque Xangô vai chegar!


MÃE, EU TÔ CHEGANDO!


Ricardo Wagner

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Raspe dos seus dedos minhas digitais



Recomeço esse ano com a letra de uma música de Isabella Taviani. Tenho ouvido bastante essa música, as vezes duas, três vezes seguidas. Acho que pode representar uma quebra com o passado e uma tentativa de olhar para a frente, sem resquícios do passado.


Digitais

Isabella Taviani
Composição: Isabella Taviani


Eu tava aqui tentando não pensar no seu sorriso
Mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido
E te liguei

Me encontro tão ferida,
mas te vejo ai também em carne viva
Será que não tem jeito?
Esse amor ainda nem nasceu direito, pra morrer assim

Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais
Se você tivesse tido calma pra esperar
Se você quisesse poderia reverter
Se você crescesse e então se desculpasse
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo

É que eu não posso mais

Não vou voltar atrás
Raspe dos teus dedos minhas digitais
Eu não vou voltar atrás
Apague da cabeça o meu nome, telefone e endereço
Eu não vou, eu não vou voltar atrás
Arranque do teu peito o meu amor cheio de defeitos

Me mata essa vontade de querer tomar você num gole só
Me dói essa lembrança das suas mãos em minhas costas
Sob o sol da manhã
Você já me dizia: conheço bem as suas expressões
Você já me sorria ao final de todas as minhas canções
Então por que?

Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais
Se você tivesse tido calma pra esperar
Se você quisesse poderia reverter
Se você crescesse e então se desculpasse
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo

É que eu não posso mais

Não vou voltar atrás
Raspe dos teus dedos minhas digitais
Eu não vou voltar atrás
Apague da cabeça o meu nome, telefone e endereço
Eu não vou, não vou voltar atrás
Arranque do teu peito o meu amor cheio de defeitos

Cheio de defeitos...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

The Color Purple


Mais um vídeo da série de filmes que mexe comigo, e com meus sentimentos. A Cor Púrpura, com Whoopi Goldberg e Oprah Winfrey. Impossível não me identificar com Miss Celie em diversas cenas. E impossível ficar indiferente a tudo que ela passou. A cena final, do reencontro com Natie, é algo que primoroso em mexer com os corações mais gelados.